O que mais doía

O que mais doía, não era tanto a separação.

O que mais doia era toda maldita vez que passava perto de alguém fumando, lembrar daqueles momentos bons passados no apartamento dela.

Era um apartamentinho, pequeno, com as janelas dos quartos umas ao lado das outras. O vizinho fumava. Uma chaminé. Não novo, nem velho. 30 e quase 40, 40 e poucos. Mas até que conservado, dado os 2 maços diários desde os 14 anos. E madrugava muito também. Assim como eles faziam, entregues um ao outro, sem o mundo pra incomodar. Ela até achava que encontrava paz naqueles momentos, quando depois do gozo sentia ainda seu corpo dentro dela, deixava do jeito que estava e curtiam aquele momento, algumas vezes até pegavam no sono.  Quase sempre ela deitada sobre ele, sentindo apenas a vontade de não mexer o corpo, aproveitar aquele momento.

A agenda dos dois eram parecidas, e ambos madrugadores. Então sentiam o cheiro dos intermináveis cigarros do vizinho. Não se incomodavam com o cheiro, ambos fumavam às vezes (ela mais que ele).

E agora, andando na rua, à toa, passava alguém fumando. E o cheiro de cigarro que sentia lembrava do apartamentinho e das noites em claro, aproveitando, discutindo, conversando profundamente…

Isso já não era recente. Já tinha parado de fumar anos atrás.

Mas a lembrança, não. Essa tinha que ficar.

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way ho

esperando chegar...

Existe uma coisa que acontece com todos. Eu, pessoalmente chamo de “momento elevador”.

Sabe quando você está sozinho, parado, esperando o elevador? (esperando o ônibus, esperando o sinal abrir… Acho que dá pra entender o que quero dizer).

Sua mente se solta e então divaga, livremente, entre os mais variados assuntos e situações.

(Será que fechei a janela?…Chegando lá tenho que primeiro passar em um lugar, depois tanto faz onde vou…Já entregaram o relatório? Ligo hoje ou amanhã pra ver isso?)


Ultimamente, meus momentos de elevador aumentaram consideravelmente. Talvez porque esteja mais sozinho ultimamente. Talvez porque estou solto em uma nova cidade, com novas pessoas, e um novo jeito de viver.
Reparei como esses momentos podem influenciar todo seu dia.
Enquanto a mente trabalha solta, você pode perceber coisas que não perceberia normalmente. É um momento de descobertas e reflexões.

O que diferencia um momento trivial desses com um momento mais sério? O que desencadeia isso?

No meu caso, pessoas, comentários e fatos me fazem pensar. Muitas vezes, o que se ouve enche o peito, orgulha e coloca um sorriso no rosto (aquele risinho bobo, de quem não está preocupado, olhando pro vazio e sorrindo com o canto da boca). Algumas vezes, o peito fica vazio. A sensação é horrível. Começa no peito e se espalha pelo corpo, provocando calafrios e arrepios. Associado à essa sensação, pensamentos desanimadores e solitários. Algumas vezes rasos, outras vezes destrutivos e cáusticos.

No momento, sinto calafrios. Meus pensamentos são pessimistas. Não há a quem recorrer. Estou só. Tendo que lidar com esse crescente vazio dentro de mim.

Mas não há motivo para preocupação. Isso vai passar. Acho. Pelo menos costumava…

 

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